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terça-feira, 1 de abril de 2014

01 de Abril de 1.964 - O II Exército Domina o Vale do Paraíba


Toda a região do Vale do Paraíba está sob o controle de tropas fieis ao General Amaury Kruel, com a Via Dutra fortemente policiada por soldados do II Exército e da Força Pública.

O Comando Geral da Região está sob as ordens do Coronel Sousa Lobo, que assumiu o posto de General Euriale de Jesus Zerbini, que, segundo fontes de Caçapava - SP, desapareceu, sendo seu paradeiro desconhecido.

Pela Via Dutra, foram para o Rio de Janeiro dez carros de combate leves, do Regimento Anhanguera.

E, por via férrea, segue também todo o 1º Batalhão de Carros de Combate Leves, com sede em Campinas.

Nessa manhã, de 01 de Abril de 1964, o "dispositivo" organizado pelo General Assis Brasil, de Jango não existia.

Não se sabe o motivo, mas o ainda Presidente optou por sair do Rio de Janeiro e ir para Brasília, por volta das 12:45h.  Dizia que queria sair daquela ratoeira do Rio de Janeiro. Saiu da ratoeira e entrou na arapuca.

Sua saída do Rio dissolveu de vez seu "dispositivo ".

Kruel, Muricy e Mourão vinham pelo Vale do Paraíba.




No Nordeste, o IV Exército já estava rebelado e cercaram Miguel Arraes. O Sul estava rebelado.



TARDE DE 01 DE ABRIL DE 1964. MULTIDÃO EM FRENTE AO PALÁCIO DA GUANABARA. VITÓRIA DA REBELIÃO.

 

Às 22:30h, Jango saiu da Granja do Torto e foi para Porto Alegre, chegando na madrugada de 02 de Abril.


Veja o Link da Capa do Jornal Folha de S.Paulo de 01 de Abril de 1964:

http://acervo.folha.com.br/fsp/1964/04/01/2//4420468


Presidindo a sessão de 01 de Abril de 1964, o Senador Auro de Moura Andrade, declarou ao Congresso Nacional, vaga a Presidência da República.

Assista:

https://www.youtube.com/watch?v=B-3Ng_eaG2I



GENERAL ANTONIO CARLOS MURICY, GENERAL OLYMPIO MOURÃO FILHO E O GOVERNADOR MAGALHÃES PINTO, DE MINAS GERAIS



 

segunda-feira, 31 de março de 2014

30 e 31 de MARÇO DE 1.964 - FIM DA LINHA ... FIM DE JANGO ... ENFIM ...


Num intervalo de 17 dias, entre os dias 13 e 30 de Março de 1964,o Presidente João Goulart conseguiu avançar de modo competente para um penhasco, cuja trilha ele mesmo construiu.

Um Presidente fraco, cercado de bons conselheiros, mas a quem não ouvia, péssimos palpiteiros a quem se deixava levar, personalidade sofrível, um cunhado em ebulição ( Leonel Brizola ), um oficialato militar revoltado com sua postura agônica, economia trágica.

O que mais faltava ?

Há poucos dias havia sido solidário com marinheiros e sargentos sublevados e promovido um patrocínio a uma quebra de hierarquia dentro da Marinha, sem precedentes.

Estava tudo programado pelo Presidente.

Na noite de 30 de Março de 1964, discursaria para um auditório de suboficiais e sargentos reunidos no Automóvel Clube, na Cinelândia, Rio de Janeiro. Ele estava disposto a consolidar-se no poder. Achava que aquele era o seu momento.

Havia sido aconselhado. Não ouviu.

Estacionou sua Mercedes em frente ao Automóvel Clube. Foi saudado pelos sargentos.
O personagem mais aplaudido da noite foi cabo Anselmo. Recebeu um enorme abraço do ex-comandante do Corpo de Fuzileiros Navais, Cândido Aragão, " um Almirante do Povo ".




Jango iniciou seu discurso quando já se passava das 22h de 30 de Março.

Resolveu improvisar na parte decisiva do discurso !!!





" A crise que se manifesta no país foi provocada pela minoria de privilegiados que vive de olhos voltados para o passado e teme enfrentar o luminoso futuro que se abrirá à democracia pela integração de milhões de patrícios nossos ".

" Quem fala em disciplina, senhores sargentos, quem a alardeia, quem procura intrigar o Presidente da República com as Forças Armadas em nome da disciplina são os mesmo que, em 1961, em nome da disciplina e da pretensa ordem e legalidade que eles diziam defender, prenderam dezenas de sargentos ".

Pronto !  Jango conseguiu ! Fez um discurso incendiário.



Ouça o Link:

https://www.youtube.com/watch?v=KosJaM65WZc.



Veja o Link da Capa do Jornal Folha de S.Paulo de 30 e 31 de Março de 1964:

http://acervo.folha.com.br/fsp/1964/03/30/2//4448373

http://acervo.folha.com.br/fsp/1964/03/31/2//4448415


Às 23:30h, Jango estava de volta ao Palácio das Laranjeiras.

No início da madrugada de 31 de março de 1964, por volta das 02h, em Juiz de Fora, Minas Gerais, o General Olympio Mourão Filho, Comandante da 4ª Região Militar, resolveu !




Anotou em seu diário, às 03:15h de 31 de Março:

" Vou partir agora para a luta às 05 horas da manhã, dentro de 1 hora e 50 minutos, em más condições, portanto, porque serei obrigado a parar no meio do caminho e o Exército inteiro vem contra mim, como aconteceu em São Paulo em 1932. Ninguém me prenderá. Morrerei lutando. "

A essas alturas, Mourão já havia chamado a Juiz de Fora, o General Antônio Carlos Muricy para comandar a tropa.

Mourão inicia a sequência de telefonemas que efetivariam o contragolpe.

1ª ligação para o deputado Armando Falcão;

2ª ligação, o deputado liga para o Chefe do Estado-Maior, Castello Branco;

3ª ligação, o General Castello liga para o irmão e pede que o mesmo desse avise  Amaury Kruel, de São Paulo;

4ª ligação, o General Castello liga para o banqueiro José Luís de Magalhães Lins, sobrinho do Governador Magalhães Pinto; o Governador pediu para avisar que o movimento não tinha volta.

Castello Branco chega ao seu gabinete às 10h.

Por volta das 16h, Castello sai do prédio do Ministério da Guerra junto com Ernesto Geisel.

Às 17h, as tropas comandadas pelo General Muricy estavam paradas na Estação Paraibuna. Costa e Silva estava muito reticente.

Kruel até esse momento, paralisado !!  Todos aguardavam alguma manifestação de Amaury Kruel.

Nada ...

Jango estava lá, inerte, vacilante e dentro de um imobilismo que funcionou como detergente para as forças que o apoiavam.

Finalmente, por volta das 22h de 31 de Março de 1964, Amaury Kruel liga para o amigo Jango e pede para que o Presidente rompa com a esquerda.

Pede que demita o Ministro da Justiça Abelardo Jurema e Darcy Ribeiro do Gabinete Civil.

Jango respondeu rispidamente:

" General, eu não abandono os meus amigos. Se essas são as suas condições, eu não as examino. Prefiro ficar com as minhas origens. O senhor que fique com as suas convicções. Ponha as tropas na rua e traia abertamente ".

Kruel aderiu !

Para reverter a situação, Jango precisava golpear o Congresso Nacional, intervir nos governos de Minas Gerais, São Paulo e Guanabara, expurgar uma parte da oficialidade das Forças Armadas, censurar a imprensa, amparar-se no " dispositivo ", na suboficialidade e na máquina sindical filocomunista.

Demais para um Jango só !!!

Assim terminou o cenário em 31 de Março de 1964.













 

sexta-feira, 28 de março de 2014

SAULO GOMES - Rádio Mayrink Veiga




Saulo Gomes, repórter e diretor de jornalismo da Rádio Mayrink Veiga, lembra a cobertura da Revolta dos Marinheiros no Rio de Janeiro.





Veja o Link:

https://www.youtube.com/watch?v=IU7KtiUuRis


 

quinta-feira, 27 de março de 2014

27 e 28 de Março de 1964



A Crise na Marinha


O término da crise deu-se com o pedido de demissão do Ministro Silvio Mota, com a anistia dos marinheiros rebeldes pelo próprio Presidente da República, com a exaltação do cabo Anselmo

CABO ANSELMO AO CENTRO


como grande líder da rebelião, com a afronta do Almirante Aragão ao posar em foto com os rebeldes, para a posteridade, com a indicação de um Almirante da reserva, alinhado ao Partido Comunista, para assumir o ministério.


LIBERDADE AOS REBELDES

Termina a rebelião com a clara evidência de ter havido insubordinação dentro da Força e omissão por parte de Jango em disciplinar os manifestantes.


A AFRONTA DO ALMIRANTE ARAGÃO

Estamos, dessa forma, por 3 dias ...

Faltam 3 dias para o fim da era Jango.


Veja os Links da Capa do Jornal Folha de S. Paulo:

http://acervo.folha.com.br/fsp/1964/03/28/2//4448263

http://acervo.folha.com.br/fsp/1964/03/29/2//4448285

quarta-feira, 26 de março de 2014

25 e 26 de Março de 1964


A Rebelião dos Marinheiros

Chega a Semana Santa e o Presidente João Goulart viaja para São Borja - RS.

Na Marinha, chegava-se ao ápice de uma crise entre marinheiros e oficiais.

Realizou-se na noite do dia 25 de Março de 1964, no Palácio do Aço, sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, controlado pelo PCB, a solenidade comemorativa do 2º Aniversário da fundação da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais, com o comparecimento de cerca de 3.000 pessoas.






O Ministro da Marinha, o Almirante Silvio Mota sempre considerou essa Associação como uma organização parassindical infiltrada pelo PCB. Por isso, essa comemoração estava por ele proibida.

De imediato, o Ministro manda prender doze graduados que compactuavam com a realização da solenidade proibida.

Marinheiros, cabos e sargentos amotinaram-se no Palácio do Aço durante 4 dias, recusando-se a abandoná-lo, a não ser que as punições fossem revogadas. Uma tropa de 23 fuzileiros foi enviada ao Palácio para efetuar o desalojamento dos amotinados, mas terminaram por aderir ao motim.
Clima de insurreição deflagrado !

A crise somente se encerra quando oficiais do Gabinete Militar da Presidência sentam-se à mesa com o líder da rebelião, o marinheiro de 1ª classe, José Anselmo dos Santos, mais conhecido como cabo Anselmo.





Essa solução gera uma dupla humilhação para a oficialidade da Marinha:

Primeiro:  os marinheiros presos haviam sido levados para quartéis do Exército;
Segundo:  depois de soltos, saíram em passeata pelo Rio de Janeiro, carregando nos ombros dois Almirantes de esquerda.

Resultado: o Ministro Silvio Mota pede demissão.

Jango volta ao Rio de Janeiro e não consegue nomear nenhum oficial da ativa da Marinha para substituí-lo, tamanha a humilhação imposta a essa Força.

Coube a nomeação de Paulo Mário da Cunha Rodrigues, do quadro da reserva, muito próximo da Partido Comunista.



Dessa forma, a falta efetiva de punição aos rebelados, e da avaliação se suas reivindicações, piorou muito a situação.

De reunião em reunião, o Presidente João Goulart, não tomou nenhuma medida disciplinadora.

Foi conivente com a insubordinação dentro da Força.

Sua situação se complica ainda mais.

Faltam 5 dias para o desfecho de seu governo.


Veja o Link da Capa do Jornal Folha de S.Paulo, de 27 de Março de 1964:

http://acervo.folha.com.br/fsp/1964/03/27/2//4448243



 

segunda-feira, 24 de março de 2014

24 de Março de 1964 - FALTA 1 SEMANA





No dia 24 de Março de 1964, o Brasil estava por 7 dias.

A situação de momento era a seguinte:

O Ministro da Guerra, Jair Dantas Ribeiro, apoiava Jango com todas as forças.



O I Exército, controlador das tropas do Rio de Janeiro, era comandado pelo General Armando de Moraes Âncora, muito amigo do Ministro Dantas. Se porventura Âncora titubeasse, logo abaixo dele estava o General Oromar Osório, da mesma forma simpático ao governo e que, se incluía no rol dos chamados " Generais do Povo ".


Gal. Âncora
 
O II Exército, em São Paulo, era comandado pelo General Amaury Kruel, amigo e compadre de Jango, a quem já tinha servido como Chefe de Gabinete Militar e Ministro da Guerra.

Gal. Kruel


O III Exército, reunia as tropas do Sul e era comandado pelo General Benjamin Rodrigues Galhardo, que era tão leal ao " dispositivo " do General Argemiro de Assis Brasil quanto Âncora.

Havia ainda uma Base Militar do Partido Comunista Brasileiro ( PCB ) denominada Setor Mil, que mantinham militares que gravitavam em torno do PCB, onde apenas Prestes e mais dois membros da Comissão Executiva sabiam quem eram.

Alguns Militares de expressão haviam sido, por assim dizer, remanejados em suas funções.

Orlando Geisel, que fora Chefe de Gabinete do Ministro da Guerra, passou a chefiar baterias de telefone na subdiretoria de material de engenharia;


Orlando Geisel



Ernesto Geisel, irmão de Orlando, que comandara a Guarnição do Paraná, passou para a 2ª Subchefia do Departamento de Provisão Geral - estoque de papéis.





Golbery do Couto e Silva, passou voluntariamente para a reserva em 1961. Tomou asco dos militares ruins.



O Quatro-Estrelas, Arthur da Costa e Silva, ex-Comandante do IV e II Exército, ficou incumbido de comandar um contingente de 20 homens no Departamento de Produção e Obras.

Em Minas Gerais, 2 Generais tinham poder.

O General Carlos Luiz Guedes, era o Comandante da Infantaria Divisionária/4 e o General Olympio Mourão Filho, da 4ª Região Militar/RM e da 4ª Divisão de Infantaria.


Gal. Guedes

Gal. Olympio
                                            



                                                     



O General Humberto de Alencar Castello Branco, estava na Chefia do Estado-Maior do Exército, uma função operacionalmente inócua. Comandava o 6º Andar do prédio do Ministério da Guerra, no centro do Rio de Janeiro.



sábado, 22 de março de 2014

CepraJud para Quem ??? Para 22 de Março de 2014 ???



Muito curioso !

Há 2 atos programados para hoje:

A Marcha da Família com Deus pela Liberdade, de caráter conservador, que sai da Praça da República às 15h com direção à Praça da Sé e

a Marcha Antigolpista Ditadura Nunca Mais, convocada especificamente para fazer o contraponto à primeira, que sai da Praça da Sé às 15h com direção à Luz.

Curiosamente, o presidente do Tribunal de Justiça, Renato Nalini, inaugura hoje, o início do funcionamento do Ceprajud ( Centro de Pronto Atendimento Judiciário ), um grupo especial que pretende agilizar a transformação de inquéritos em processos criminais.

Trata-se de um sistema de análise imediata de prisões que sejam realizadas nas marchas de hoje ...

Um grupo de juízes terá uma escala específica de trabalho para analisar as prisões em protestos previstos para hoje, onde poderão ser acionados a qualquer momento até por mensagens de celular.

Dois pontos:

Essa eficiência toda já não deveria existir para o dia-dia, em situações triviais ?

Essa decisão, hoje, tenta inibir ou coibir algum direito de manifestação ?

Curioso !!!