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quinta-feira, 27 de março de 2014

27 e 28 de Março de 1964



A Crise na Marinha


O término da crise deu-se com o pedido de demissão do Ministro Silvio Mota, com a anistia dos marinheiros rebeldes pelo próprio Presidente da República, com a exaltação do cabo Anselmo

CABO ANSELMO AO CENTRO


como grande líder da rebelião, com a afronta do Almirante Aragão ao posar em foto com os rebeldes, para a posteridade, com a indicação de um Almirante da reserva, alinhado ao Partido Comunista, para assumir o ministério.


LIBERDADE AOS REBELDES

Termina a rebelião com a clara evidência de ter havido insubordinação dentro da Força e omissão por parte de Jango em disciplinar os manifestantes.


A AFRONTA DO ALMIRANTE ARAGÃO

Estamos, dessa forma, por 3 dias ...

Faltam 3 dias para o fim da era Jango.


Veja os Links da Capa do Jornal Folha de S. Paulo:

http://acervo.folha.com.br/fsp/1964/03/28/2//4448263

http://acervo.folha.com.br/fsp/1964/03/29/2//4448285

quarta-feira, 26 de março de 2014

25 e 26 de Março de 1964


A Rebelião dos Marinheiros

Chega a Semana Santa e o Presidente João Goulart viaja para São Borja - RS.

Na Marinha, chegava-se ao ápice de uma crise entre marinheiros e oficiais.

Realizou-se na noite do dia 25 de Março de 1964, no Palácio do Aço, sede do Sindicato dos Metalúrgicos do Rio de Janeiro, controlado pelo PCB, a solenidade comemorativa do 2º Aniversário da fundação da Associação de Marinheiros e Fuzileiros Navais, com o comparecimento de cerca de 3.000 pessoas.






O Ministro da Marinha, o Almirante Silvio Mota sempre considerou essa Associação como uma organização parassindical infiltrada pelo PCB. Por isso, essa comemoração estava por ele proibida.

De imediato, o Ministro manda prender doze graduados que compactuavam com a realização da solenidade proibida.

Marinheiros, cabos e sargentos amotinaram-se no Palácio do Aço durante 4 dias, recusando-se a abandoná-lo, a não ser que as punições fossem revogadas. Uma tropa de 23 fuzileiros foi enviada ao Palácio para efetuar o desalojamento dos amotinados, mas terminaram por aderir ao motim.
Clima de insurreição deflagrado !

A crise somente se encerra quando oficiais do Gabinete Militar da Presidência sentam-se à mesa com o líder da rebelião, o marinheiro de 1ª classe, José Anselmo dos Santos, mais conhecido como cabo Anselmo.





Essa solução gera uma dupla humilhação para a oficialidade da Marinha:

Primeiro:  os marinheiros presos haviam sido levados para quartéis do Exército;
Segundo:  depois de soltos, saíram em passeata pelo Rio de Janeiro, carregando nos ombros dois Almirantes de esquerda.

Resultado: o Ministro Silvio Mota pede demissão.

Jango volta ao Rio de Janeiro e não consegue nomear nenhum oficial da ativa da Marinha para substituí-lo, tamanha a humilhação imposta a essa Força.

Coube a nomeação de Paulo Mário da Cunha Rodrigues, do quadro da reserva, muito próximo da Partido Comunista.



Dessa forma, a falta efetiva de punição aos rebelados, e da avaliação se suas reivindicações, piorou muito a situação.

De reunião em reunião, o Presidente João Goulart, não tomou nenhuma medida disciplinadora.

Foi conivente com a insubordinação dentro da Força.

Sua situação se complica ainda mais.

Faltam 5 dias para o desfecho de seu governo.


Veja o Link da Capa do Jornal Folha de S.Paulo, de 27 de Março de 1964:

http://acervo.folha.com.br/fsp/1964/03/27/2//4448243



 

segunda-feira, 24 de março de 2014

24 de Março de 1964 - FALTA 1 SEMANA





No dia 24 de Março de 1964, o Brasil estava por 7 dias.

A situação de momento era a seguinte:

O Ministro da Guerra, Jair Dantas Ribeiro, apoiava Jango com todas as forças.



O I Exército, controlador das tropas do Rio de Janeiro, era comandado pelo General Armando de Moraes Âncora, muito amigo do Ministro Dantas. Se porventura Âncora titubeasse, logo abaixo dele estava o General Oromar Osório, da mesma forma simpático ao governo e que, se incluía no rol dos chamados " Generais do Povo ".


Gal. Âncora
 
O II Exército, em São Paulo, era comandado pelo General Amaury Kruel, amigo e compadre de Jango, a quem já tinha servido como Chefe de Gabinete Militar e Ministro da Guerra.

Gal. Kruel


O III Exército, reunia as tropas do Sul e era comandado pelo General Benjamin Rodrigues Galhardo, que era tão leal ao " dispositivo " do General Argemiro de Assis Brasil quanto Âncora.

Havia ainda uma Base Militar do Partido Comunista Brasileiro ( PCB ) denominada Setor Mil, que mantinham militares que gravitavam em torno do PCB, onde apenas Prestes e mais dois membros da Comissão Executiva sabiam quem eram.

Alguns Militares de expressão haviam sido, por assim dizer, remanejados em suas funções.

Orlando Geisel, que fora Chefe de Gabinete do Ministro da Guerra, passou a chefiar baterias de telefone na subdiretoria de material de engenharia;


Orlando Geisel



Ernesto Geisel, irmão de Orlando, que comandara a Guarnição do Paraná, passou para a 2ª Subchefia do Departamento de Provisão Geral - estoque de papéis.





Golbery do Couto e Silva, passou voluntariamente para a reserva em 1961. Tomou asco dos militares ruins.



O Quatro-Estrelas, Arthur da Costa e Silva, ex-Comandante do IV e II Exército, ficou incumbido de comandar um contingente de 20 homens no Departamento de Produção e Obras.

Em Minas Gerais, 2 Generais tinham poder.

O General Carlos Luiz Guedes, era o Comandante da Infantaria Divisionária/4 e o General Olympio Mourão Filho, da 4ª Região Militar/RM e da 4ª Divisão de Infantaria.


Gal. Guedes

Gal. Olympio
                                            



                                                     



O General Humberto de Alencar Castello Branco, estava na Chefia do Estado-Maior do Exército, uma função operacionalmente inócua. Comandava o 6º Andar do prédio do Ministério da Guerra, no centro do Rio de Janeiro.



sábado, 22 de março de 2014

CepraJud para Quem ??? Para 22 de Março de 2014 ???



Muito curioso !

Há 2 atos programados para hoje:

A Marcha da Família com Deus pela Liberdade, de caráter conservador, que sai da Praça da República às 15h com direção à Praça da Sé e

a Marcha Antigolpista Ditadura Nunca Mais, convocada especificamente para fazer o contraponto à primeira, que sai da Praça da Sé às 15h com direção à Luz.

Curiosamente, o presidente do Tribunal de Justiça, Renato Nalini, inaugura hoje, o início do funcionamento do Ceprajud ( Centro de Pronto Atendimento Judiciário ), um grupo especial que pretende agilizar a transformação de inquéritos em processos criminais.

Trata-se de um sistema de análise imediata de prisões que sejam realizadas nas marchas de hoje ...

Um grupo de juízes terá uma escala específica de trabalho para analisar as prisões em protestos previstos para hoje, onde poderão ser acionados a qualquer momento até por mensagens de celular.

Dois pontos:

Essa eficiência toda já não deveria existir para o dia-dia, em situações triviais ?

Essa decisão, hoje, tenta inibir ou coibir algum direito de manifestação ?

Curioso !!!

 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Circular Reservada de Castello Branco



A reativa Marcha da Família ocorreu no dia 19 de Março de 1964.

Nesse contexto, um dos mais respeitados Generais quatro-estrelas era Humberto de Alencar Castello Branco.




Estava há menos de 1 ano na chefia do Estado-Maior do Exército. Comandava o 6º andar do prédio do Ministério da Guerra, no centro do Rio de Janeiro.

Como já vimos aqui, o Ministro da Guerra Jair Dantas Ribeiro, apoiava e Jango e foi cumprimentá-lo na saída do Comício do dia 13. Isso deixou Castello estarrecido !

No dia 20 de Março de 1964, uma semana após o Comício, Castello distribuiu aos seus comandados no Estado-Maior uma Circular Reservada, onde atacava o grupamento pseudossindical, acusando-o de antipátria, antinação e antipovo, e pedia aos subordinados para perseverar, sempre dentro dos limites da lei.

Essa Circular era um exercício em torno da reação legalista. No entanto, mesmo com o prestígio da assinatura, o documento não sacudiu aquele segmento da oficialidade que vive na ordem e disciplina.

Obviamente uma cópia dessa circular chegou aos generais do "dispositivo" e a cabeça de Castello ficou a prêmio. Jango decidiu que o demitiria.


Veja abaixo a íntegra da Circular Reservada:


CIRCULAR RESERVADA DO CHEFE DE ESTADO-MAIOR DO EXÉRCITO,  GEN. CASTELLO BRANCO 

Ministério da Guerra

Estado-Maior do Exército

Rio, 20 de Março de 1964 

Do Gen. Ex. Humberto de Alencar Castello Branco, Chefe do Estado-Maior do Exército. 

Aos Exmos. Generais e demais Militares do Estado-Maior do Exército e das organizações subordinadas 

Compreendendo a intranquilidade e as indagações de meus subordinados nos dias subsequentes ao comício de 13 do corrente mês. Sei que não se expressam somente no Estado-Maior do Exército e nos setores que lhe são dependentes, mas também na tropa, nas demais organizações e nas duas outras corporações militares. Delas participo e elas já foram motivo de uma conferência minha com o Excelentíssimo Senhor Ministro da Guerra. 

São evidentes duas ameaças: o advento de uma constituinte como caminho para a consecução das reformas de base e o desencadeamento em maior escala de agitações generalizadas do ilegal poder do CGT. As Forças Armadas são invocadas em apoio a tais propósitos. 

Para o entendimento do assunto, há necessidade de algumas considerações preliminares.

Os meios militares nacionais e permanentes não são propriamente para defender programas de Governo, muito menos a sua propaganda, mas para garantir os poderes constitucionais, o seu funcionamento e a aplicação da lei. 

Não estão instituídos para declararem solidariedade a este ou àquele poder. Se lhes fosse permitida a faculdade de solidarizarem-se com programas, movimentos políticos ou detentores de altos cargos, haveria, necessariamente, o direito de também se oporem a uns e a outros. 

Relativamente à doutrina que admite o seu emprego como força de pressão contra um dos poderes, é lógico que também seria admissível voltá-la contra qualquer um deles. 

Não sendo milícia, as Forças Armadas não são armas para empreendimentos antidemocráticos. Destinam-se a garantir os poderes constitucionais e a sua coexistência. 

A ambicionada constituinte é um objetivo revolucionário pela violência com o fechamento do atual Congresso e a instituição de uma ditadura. 

A insurreição é um recurso legítimo de um povo. Pode-se perguntar: o povo brasileiro está pedindo ditadura militar ou civil e constituinte? Parece que ainda não. 

Entrarem as Forças Armadas numa revolução para entregar o Brasil a um grupo que quer dominá-lo para mandar e desmandar e mesmo para gozar o poder? Para garantir a plenitude do grupamento pseudo-sindical, cuja cúpula vive na agitação subversiva cada vez mais onerosa aos cofres públicos? Para talvez submeter à Nação ao comunismo de Moscou? Isto, sim, é que seria anti-pátria, anti-nação e anti-povo.

 Não. As Forças Armadas não podem atraiçoar o Brasil. Defender privilégios de classes ricas está na mesma linha anti-democrática de servir a ditaduras fascistas ou síndico-comunistas. 

O CGT anuncia que vai promover a paralisação do País no quadro do esquema revolucionário. Estará configurada provavelmente uma calamidade pública. E há quem deseje que as Forças Armadas fiquem omissas ou caudatárias do comando da subversão. 

Parece que nem uma coisa nem outra. E, sim, garantir a aplicação da lei, que não permite, por ilegal, movimento de tamanha gravidade para a vida da nação. 

Tratei da situação política somente para caracterizar a nossa conduta militar. Os quadros das Forças Armadas têm tido um comportamento, além de legal, de elevada compreensão em face das dificuldades e desvios próprios do estágio atual da evolução do Brasil. E mantidos, como é de seu dever, fieis à vida profissional, à sua destinação e com continuado respeito a seus chefes e à autoridade do Presidente da República. 

É preciso aí perseverar, sempre "dentro dos limites da lei". Estar prontos para a defesa da legalidade, a saber, pelo funcionamento integral dos três Poderes constitucionais e pela aplicação das leis, inclusive as que asseguram o processo eleitoral, e contra a revolução para a ditadura e a Constituinte, contra a calamidade pública, a ser promovida pelo CGT, e contra o desvirtuamento do papel histórico das Forças Armadas. O Excelentíssimo Senhor Ministro da Guerra tem declarado que assegurará o respeito ao Congresso, às eleições e à posse do candidato eleito. E já declarou também que não haverá documentos dos ministros militares de pressão sobre o Congresso Nacional. 

É o que eu tenho a dizer em consideração à intranquilidade e indagações oriundas da atual situação política e a respeito da decorrente conduta militar.” 

General-de-Exército Humberto de Alencar Castelo Branco, Chefe do Estado-Maior do Exército.

 

 

quarta-feira, 19 de março de 2014

19 DE MARÇO DE 1964 - MARCHA DA FAMÍLIA



50 Anos da  " Marcha da Família com Deus pela Liberdade ".

Hoje, 19 de Março.



 
 
 




Assista a esse vídeo. Serve para entender um pouco o que foi a Marcha.






Veja o Link da Capa do Jornal Folha de S.Paulo, 2ª Edição  -  Tarde de 19 de Março de 1964:

http://acervo.folha.com.br/fsp/1964/03/19/437//4447861

Marcha da Família e candidatura de Carvalho Pinto




Em 19 de Março de 1964, o Dia da Marcha da Família com Deus pela Liberdade, traz a notícia de que, num encontro realizado ontem, 18 de Março, entre os Governadores de Minas Gerais, Magalhães Pinto, Nei Braga, do Paraná e o ex-Ministro da Fazenda Carvalho Pinto, houve a sondagem de uma possível candidatura de CP à Presidência da República.

Carvalho Pinto não excluiu a possibilidade.




Nei Braga disse em sua partida, ao ex-Ministro, que seu avião " está às ordens para a campanha ".


Veja o Link da Capa do Jornal Folha de S.Paulo, 1º Caderno de 19 de Março de 1964:


http://acervo.folha.com.br/fsp/1964/03/19/2//4447821